Comentários geram sorrisos.
Novo.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011 @ 15:29
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Eu não sei
quarta-feira, 20 de julho de 2011 @ 15:56
Eu não sei
Se acordo
Se despenteio
Se endureço
Se quero
Se espero
Se festejo
Se anseio
Se desatino
Se decido
Se abro
Se anoiteço
Se tranco
Se estanco
Se abraço
Se indago
Se ignoro
Se afasto
Se apago
Se eternizo
Eu não sei
Se tudo
Ou
Se nada.
Raio-x emocional
sexta-feira, 11 de março de 2011 @ 18:29
Eu tenho um monstro dentro de mim. É a única explicação plausível para tudo que anda me acontecendo, para tudo que anda passando pela minha cabeça – esse monstro é faminto, sempre faminto, nunca satisfeito, e ele ingere toda minha energia, tudo de bom que eu penso é jogado imediatamente na boca desse monstro. Ele mastiga, mastiga, mastiga e nem pó sobra. Meus olhos lacrimejam no meio do processo e os pêlos do meu braço se arrepiam.
Fecho os olhos. Mais que isso: aperto-os forte, como se estivesse apagando tudo que, anteriormente, foi pensado.
Eu tenho um buraco negro dentro de mim. É a única explicação razoável para tudo que se perde todos os dias, todos os instantes, para toda a energia que vejo nascer, mas nunca vejo se pôr – esse buraco negro é fortíssimo, fazendo com que momentos luminosos pisquem e apaguem - como luzes defeituosas de natal – para nunca mais acenderem. Perdeu-se, foi-se e não poderá ser recuperado. Meu estômago fica apertado por horas e horas enquanto o buraco negro continua expandindo, e expandindo e indo...
Permaneço de olhos fechados, mas agora seguro e aperto minha própria mão, como se pudesse impedir algo bom de ir embora. “Fica”, eu sussurro.
Eu tenho bexigas dentro de mim. Milhares delas. É a única explicação compreensível para poder justificar tamanho nó na garganta – as bexigas não deixam nada descer, fica tudo preso, tudo entalado. Tem um trânsito gigantesco que nunca se movimenta, nunca muda, tudo porque as bexigas não abrem caminho. Sinto-me estufada. Cheia. Enquanto isso, nada consegue passar por mim. Não engulo nada, não sinto fome. Não quero conversar. Não quero abrir a boca.
Já nem sinto que estou de olhos fechados, parece que nasci daquele jeito.
Eu tenho Amor dentro de mim. É a única explicação absoluta para tudo que me vem abalando, por todas as transformações que ocorreram, por toda a esperança esmagadora que me deixa acordada durante a madrugada e desacordada durante o dia. Esse Amor não me deixa desistir, não me deixa ir embora, não me deixa escolher o desapego. Esse Amor me permite muito. Permite-me enxergar um mundo de cegos, guiados pela maior força, pela maior dor, pela maior alegria, pela maior satisfação. Tudo se soma e se subtrai dentro de mim para gerar amor, amor que direciono a uma só pessoa.
Eu estou ficando louca. Louca. E, segundo ele, ‘’algo deve faltar’’. Mas não... Nada falta e tudo transborda.
Bagagem Emocional
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 @ 18:47
Eu tentei encaixar meu passado em todo o espaço que me apareceu: meu estômago rejeitou, não digerindo o conteúdo agridoce; meus olhos fizeram-se de cegos, ignorando a ausência de cor; minhas mãos se fecharam, rejeitando o conteúdo altamente áspero; meu coração palpitou rapidamente, tentando fugir daquilo que uma vez o machucou.
É assustador concluir que obstáculos pelos quais nós já passamos – de jeitos tortos ou mal feitos, não importa, – conseguem ter o poder de retornar a nos assombrar, como se fossem a esquina que acabamos de passar ou o aroma da padaria que acabou de voar por aqui. E eu fico me perguntando se somos nós mesmos, de um jeito completamente inconsciente e humano de agir, que impedimos do nosso barquinho fluir com a felicidade. Parece que emperra, que fura, que transborda e não consegue prosseguir.
Eu vou à estação e me sento num banco qualquer. Os metrôs passam o dia inteiro, sem falta. Em alguns horários completamente vazios, como se fossem para à Frustração. Já em outros, transbordando de gente em tudo quanto é canto, quase como se estivessem levando à Plenitude. E isso me faz encarar a minha vida e pensar: o metrô nunca vai parar de passar. Eu posso perder um, mas depois de um tempo, outro vai me aparecer. E não importa aonde ele irá me levar e com quem irei esbarrar, eu sempre terei o controle de saltar daquele lugar, de me despedir daquelas pessoas e recomeçar.
É assustador concluir que a única pessoa da qual você nunca poderá fugir – por mais que se esforce – é você mesmo. Quanto mais a gente corre para se esquecer, mais memórias chovem e nos molham com a realidade gelada de que o escape não existe, não existiu e não existirá. É como se perder numa enorme seção de supermercado e não conseguir encontrar a saída.
Se eu pudesse dar um conselho para o mundo, ele seria: Não siga conselhos, siga a sua intuição. Seguir o trilho dos outros é pra segundo vagão de trem.
O Coringa
terça-feira, 11 de janeiro de 2011 @ 10:55

{Primeiro dos muitos pequenos contos com a personagem Coringa}
Coringa se esconde por trás do lógico. Seus desejos não encaixam.
"O quebra-cabeça não tem duas resoluções". Coringa deixa o raciocínio o guiar, mas este desconhece o mapa do coração.
"O racional não pode estar enganado... Como posso estar perdido?"Coringa estava amando e nunca soube. "Não é tumor, mas cresce, dói e me matou."
A dose que nos falta
terça-feira, 7 de dezembro de 2010 @ 13:07
De energia no meio do dia; de calor na madrugada sozinha; de paciência antes de pisar no acelerador; de água na boca seca do verão; de luz naquele beco sem saída; de concreto na construção das promessas; de ombros no instante da queda; de poesia no céu urbano; de aceitação às nossas metamorfoses constantes; de perspectiva na mente limitada; de companhia quando o coração palpita saudade; de sorrisos quando o rosto estiver cinza; de conchas para escutar o som do mar; de sonhos impossíveis; de motivação na ladeira íngreme; de loucura no meio de tanta racionalização; de criatividade para nossa monotonia cotidiana; de memórias que queiramos guardar; de naturalidade em nossos processos; de força apesar do bombom amargo que sempre vem em maior quantidade; de lutas pessoais e conjuntas que movam montanhas; de paixão em cada letra que pressionamos, digitamos, escrevemos, cantamos, criamos; de intensidade em cada abraço que damos, compartilhamos, relembramos, oferecemos; de amor em cada cama, cada canto do banheiro, cada sofá da sala, cada banco de praça, cada metrô barulhento; de beijos em cada pedaço de pele, cada milímetro de boca, cada doçura de seu corpo; de um amor maior em todos os dias em que eu e você - o adorado nós - estamos juntos.
Confissões que me silenciam
sábado, 27 de novembro de 2010 @ 11:15

À garota que senta e lê seu livro só no sofá do canto da livraria,
Passei meses observando você. Passei semanas pensando em como lhe entregar minhas divagações sem que descobrisse a minha identidade. Deveríamos conhecer as pessoas assim: de olhos fechados, mãos atadas e coração aberto.
Percebi como as pessoas com as quais você esbarra no caminho delicado da livraria até a pequena cafeteria te recebem gentilmente, sorrindo e pronunciando seu nome (pequena nota de rodapé: sei que a inicial do seu nome é a letra "A", a mesma primeira letra de amar ou de armadilha) e percebi como todas elas te tratam como se você fosse feliz, satisfeita, completa. Mas sinto nas nuvens que pairam sobre seu belo e felino par de olhos que não é este o compasso da sua realidade.
Suas feições e o jeito como você pisca os olhos e morde o lábio inferior quando sorri - como se fosse conter uma explosão de artifícios, estrelas cadentes e cometas - demonstram o quão sonhadora tu és. Quer transformar o mundo de um jeito que sua órbita mude de direção.
Esta é uma das primeiras de muitas confissões que entregarei secretamente a você:
No momento em que eu me aprofundei na sua existência - forte na sua indecisão e plena em suas metamorfoses - senti meu coração bater pela primeira vez em quinze anos.
Da garota que conversa com as estrelas.
Anotações esquecidas atrás do coração
quarta-feira, 17 de novembro de 2010 @ 14:29
Nove e vinte e dois da manhã do dia treze de outubro. O dia de ontem foi difícil. Me veio aquela sensação de esperar um trem que nunca vinha, sabe como é? Eu estava terrivelmente preocupada e sem saber como reagir, meu corpo não se agüentava e derramava lágrimas rápidas e violentas e que me doíam lá de dentro. “Eu posso perdê-lo”. Essa possibilidade - egoísta -, martelou na minha cabeça nos primeiros momentos. Um vazio que já tinha feito suas malas e ido embora carregando seu peso de volta pra dentro de mim. Surpreendentemente, algo me iluminou. Uma certeza que eu pensei conhecer, mas que demonstrou novos aspectos, proporções e intensidade. A palavra amor nunca bastou. Essas quatro letras significam muito, mas não possuem espaço suficiente para o que eu sinto por ele, meu garoto, meu bem - literalmente falando, ele representa o meu bem. E foi quando a possibilidade de não tê-lo mais bateu na minha cabeça que eu conclui o quão vasto meu carinho e todos esses sentimentos por ele eram. Agora, eu olho pra fora e vejo o mar. Indo e vindo, na sua valsa interminável. Fecho os olhos pra fazer um pedido: “Não carregue meu amor pra longe.”
Introdução ao destino de Sol
sábado, 13 de novembro de 2010 @ 17:25

A garota de cabelos escuros corria sob um céu avermelhado. As árvores eram tantas e a garota era tão veloz, que ao seu redor surgiram inacabáveis e enormes manchas escuras, como se alguém houvesse derramado café numa folha de papel. Corria sem saber aonde chegaria, mas com o destino guardado dentro de uma pequena bolsa em suas costas. Corria sem saber o que fazer quando sentisse que deveria parar, mas com a certeza de que alguma coisa deveria ser feita. Corria sem saber de muito, mas Sol era dessa forma: apesar de estar cheia de dúvidas em relação ao concreto e a realização das coisas, ela sabia o que sentia e que esses sentimentos não poderiam ser enterrados, deixados de lado, guardados no fundo do baú, no canto da prateleira. Sol tinha um lema e o cumpria todos os segundos da vida dela. "Não negarei o que sinto, não negarei o que navega sem bússola por dentro de mim. De todos os dias a partir deste, meus sentimentos serão livres."
De repente o pequeno par de pés começou a diminuir o ritmo e a respiração da garota explodiu, completamente descompassada e exausta. "Por um minuto - eu juro! - pude escutar os pássaros se calando por estarem assustados com o barulho que fiz."
Sol possuía cabelos negros e longos, feições delicadas e enormes olhos cor de mel. Sua pele era tão branca quanto qualquer folha de papel e sua altura mediana. Ela era radiante, assim como seu nome introduz.
Lá estava a menina, no meio de uma enorme floresta que havia dormido com a chuva. Um tronco de árvore cortado se encontrava a sua frente e ela logo sentou, tirando a bolsa das costas e a colocando no colo. Quando a abriu, colocou as mãos em seu destino: um caderno grosso e uma caneta.
"Testando: 1, 2, 3. Estão me ouvindo? 1, 2, 3.
Sempre vi as pessoas testando microfones dessa forma. Um jeito prático de saber se ele está funcionando direito ou não. E não vi formas para começar meu destino. Por que não, então, como se eu estivesse falando muito alto para uma grandiosa multidão em um microfone? Pois irei começar a revelar um dos meus segredos: dentro de mim vive uma multidão. Acompanha-me todos os dias da minha vida, em todos os lugares que fui e vou. E esta vasta multidão, que agora escuta silenciosamente a minha voz ressonar, são meus sentimentos. Com "isto" - ou como gosto de chamar: meu destino, - pretendo fazer com que a multidão dance e cante e finalmente voe.
Meu destino é escrito por mim, Sol - ou como vocês preferirem me chamar. Mas peço a vocês, multidão dentro de mim ou expectadores fora de mim: me escutem. Meu coração fala alto, mas nunca parece ser escutado.
Á vocês, então, dedico estas folhas."
Contraponto (Quarta parte)
domingo, 7 de novembro de 2010 @ 13:37
Eu sempre acreditei que cada pedaço vivo ao meu redor guardasse segredos. Sempre olhei em volta imaginando a profundidade invisível dentro de tudo. Alguns segredos morrem calados, imóveis, enquanto outros cantam e dançam por onde tiverem oportunidade. O romance é um segredo, assim como a rosa: não se sabe porque é tão bela, intensa e, ao mesmo tempo, tão perigosa com seus espinhos fortes e preparados para perfurar qualquer um que queira segurá-la e sentir o tão desejado aroma. ''Por que, rosa?''
Olho para esta tão contraditória flor no jardim e logo em seguida sinto meu amor dentro do conturbado coração que possuo: são tão similares que meu órgão pula ao reconhecer a rosa, como se estivesse recebendo um familiar muito querido que havia ficado em estado de coma por um longo tempo. ''Por que, amor?''
Eu nunca acreditei que algum dia iria libertar meus segredos e desenhá-los na vida de alguém. Não sentia vontade de me compartilhar, de me deixar exposta pelas paredes da memória de um qualquer. ''Não e não e não''.
Agora fecho os olhos por alguns instantes e tento encontrar onde, exatamente, em que contraponto, as coisas modificaram-se: quando você surgiu na minha vida ou quando minha vida se transformou a partir do que eu sentia por você.
Voa como se fosse leve
segunda-feira, 18 de outubro de 2010 @ 14:55

Os detalhes do seu corpo sussurram,
São segredos que apenas eu escuto,
Meu coração muda o ritmo da valsa,
Ele faz isso porque quer te escutar,
Cada fragmento de pele e curva e vida.
O sol não quer se pôr,
E deitado lá no céu,
Compartilha do meu torpor.
Os detalhes do seu corpo me encontram,
Lutando contra o vai e vem dos seus lábios,
Eu nego e não omito,
Deixe assim, deixe exposto seu o pescoço,
Não esconda o que é bonito.
Cada pedaço, cada pinta tão carinhosamente posicionada,
Voa como se fosse leve.
O calor que seu corpo emana, o seu meio sorriso,
Voa como se fosse leve.
O gosto que eu sinto dos seus dedos, o gosto dessa urgência,
Voa como se fosse leve.
Ensinou-me todos os dias a cor azul
sexta-feira, 8 de outubro de 2010 @ 15:59
"
Um presente para mim mesma" ela sussurrava uma, duas, quantas vezes fossem necessárias.
O mar ia e vinha, afundando os pés da mulher na areia. Ela fechava suavemente os olhos porque acreditava que, fechando-os, conseguiria sentir muito mais do que estava a sua volta. Abrindo-os, todas as sensações se amenizavam e perdiam aquele brilho que a imaginação e o-não-conhecimento-das-coisas fornecem.
Ela tinha papéis na mão dela. Cartas. Abriu os olhos apenas para olhá-las e escolher, aleatoriamente, uma delas. Encarou a folha no topo de todas as outras e suspirou mais alto do que o normal.
9 de Novembro, período da manhã.
O começo me cobra uma enorme expectativa. Você, lendo este pedaço de papel, pode estar sentada numa janela e sentindo o vento no rosto. Pode se distrair pelo barulho que ele faz ao carregar consigo as folhas que caíram da árvore. Ou você pode estar num silêncio absoluto. Deitada em sua cama, debaixo das cobertas. Uma pequena lanterna na mão e esta folha na outra. E o silêncio pode gritar tão alto que tu não irás escutar o que eu tenho a te dizer. Sugiro que você mude de local. Se você está na cama, vá para a janela. Se está na janela, vá para a cama. Nunca acontece no lugar onde estamos, é sempre na vizinhança, é sempre ali ao lado.
9 de Novembro, meio dia.
Eu te desafio. Eu te desafio, meu amor, a pensar em mim. Sei que suas mãos e seus joelhos tremeram com esta possibilidade, bem neste momento (e ele estava correto, sim, o corpo da mulher estremeceu). Eu penso em você. Eu penso em ti. Eu penso nas suas mãos-tão-pequenas-e-adoradas. O céu contornava desenhos e todos eles tinham suas características.
10 de Novembro, período da manhã.
Desculpe pela demora. A opção de pensar em você fez com que a caneta em minha mão caísse e minha mente se aprofundou em tanto que eu era só torpor. Já não podia realizar movimentos.
Não quero transformar isto, estas palavras que são formadas a partir dessa tinta azul escura, em uma carta de amor. Não quero transfigurar tudo o que eu tenho que dizer para você em palavras soltas num papel, uma declaração do que faz parte de mim quando faço parte de ti. Não, não, não. Eu me recuso, por mais tentador que seja a ideia de falar e rodear e desenhar e cantar e criar poesias sobre você: não."
Ela dobrou todas as páginas que segurava na mão e olhou para frente, onde estava o mar. Aquele que a ensinava todos os dias o que era o azul.
"Um presente para mim mesma", ela repetiu mais uma vez antes de soltar sutilmente página por página, o vento carregando as palavras que foram escritas em tantos momentos diferentes: durante a madrugada-interminável-da-segunda-feira, quando o primeiro raio de sol do dia acenou para um rosto preguiçoso, durante a tempestade externa do céu e interna do escritor, durante as vinte e quatro horas a mais que o Domingo reserva, enquanto o café esfriava em cima da mesa, já que a ânsia por escrever era maior que a sede dos lábios secos, quando a insônia durava mais do que usualmente e ocasionava surtos apaixonados e erros gramaticais tão carinhosos quanto o ronronar de um gato a pedir seu leite que não vinha... Tudo isso indo embora e desaparecendo pedacinho por pedacinho e fragmento por fragmento, afogados pelo azul tão azul daquela manta que chamavam de mar.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010 @ 17:17
Há a primavera e o inverno e o verão e o abandono de tudo a minha volta e há o céu e as nuvens e as constelações inexistentes que eu enxergo e há o que eu sinto e o que eu finjo e escondo na gaveta dos meus sonhos fragmentados e há você e o que você sente e todas as estrelas que percorrem seus gestos e seu rosto e suas costas e seus olhos cansados e há as pessoas lá fora e os carros passando e as vidas percorrendo o grande ou médio ou minúsculo ciclo do universo e há toda essa energia e seus braços e abraços e seus risos e sorrisos e seus desapegos e a sua solidão e a minha solidão e a nossa paixão e a nossa e a nossa e a nossa. Há essas palavras e o jeito como dizem seu nome de maneiras que eu nunca diria e há gente tocando em você e observando você e eu aqui e eu aqui e eu aqui e eu lá e o lá longe de mim como se todo esse amor estivesse amando essa urgência e esse suor e essa tristeza que me toma e que me abraça e que me beija e que me marca e que me enlaça e que me faz perceber e que me faz chorar e que me faz piscar e piscar e piscar e morder meus lábios como se o nada estivesse me contaminando e eu preciso e eu batalho e eu luto e eu e você e eu e você e a gente e o nosso universo e o quanto eu vou permanecer nesse curso e esse curso vai permanecer nesse trilho e esse trilho do trilho do trilho vai pegar muitos trens e nossos caminhos vão percorrer e passear e flutuar e voar juntos e o limite nunca existirá entre esses dois corpos e entre o que eu tanto anseio por e como eu vou continuar e continuar e continuar dizendo essas meras palavras e elas vão tentar de um jeito desengonçado representar tudo que eu não posso esquecer: eu vou te guardar e te segurar no meu coração enquanto não puder te segurar pela mão.
Os Sussurros Dizem Mais (Terceira Parte)
terça-feira, 7 de setembro de 2010 @ 07:31
As horas transformavam o céu, diminuíam o trânsito, acalmavam o interior das casas, apagavam as luzes, mudavam o clima, fechavam os olhos; mas não passavam por mim. O relógio podia fazer seu caminho de sempre, acompanhando o mundo no seu frágil e contínuo equilíbrio, mas eu permanecia do mesmo jeito.
Procurei as razões para explicar o que estava tornando o tempo irrelevante, miúdo, pouco caso, indiferente - olhei as paredes vazias e nada, senti o cheiro vindo da cozinha e nada, pisei no chão gelado da sala e nada, engoli minha saliva e nada, apertei minhas mãos e nada, mordisquei meus lábios e nada, - mas tudo a minha volta não parecia ser a resposta. Nada parecia tão significativo e grandioso a ponto de modificar minha rotina, minha falta de sanidade, meus sonhos, a montanha russa inconstante do meu estômago.
Nunca acreditei em desculpas: não me importo se o seu horóscopo diz o quanto seu dia será horrível, nem que as estrelas tenham dado a você sinais de uma tristeza profunda, não confio no quanto você murmura que nada deu certo, por tanto, nada dará certo. Nada disso determina o que está acontecendo, o que aconteceu e o que acontecerá. Eu acredito no desconhecido, naquilo que suspira ás 2:14 da madrugada e confessa não saber de nada. Eu acredito no garoto que me diz temer muito, mas não deixa de desejar, querer, ansiar por. Eu acredito no bonito das coisas.
Procurei razões e as encontrei em você. O tempo, desajeitado e irônico, já não fazia efeito porque você existia. Não existia apenas para o mundo - como um pontinho minúsculo, esperando em filas de mercados, entrando e saindo do colégio, andando nas ruas vazias e sentando nos metrôs ao lado de senhoras, - você existia dentro de mim. E assim seria, independente do destino inexistente, dos dias chuvosos, dos sóis cruéis, do medo muito nosso, muito humano, muito fincado na nossa alma. Independente do universo, você e eu existimos um dentro do outro.
(PS: Trilha sonora recomendada: http://youtu.be/4NZdggNUvq0).
O Surgimento (Segunda parte)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010 @ 19:48
Você irá ler esta linha, este parágrafo, este texto e negará que isto é para ti. Mas você se enganará, você se enganou, você está errado: isso aqui é inegavelmente seu e para você. A noite suspirava levemente, dançando entre as pessoas que andavam acompanhadas pelas ruas de São Paulo. Os prédios eram os mesmos. O asfalto continuava desgastado. As luzes apagadas dos prédios escondiam e calavam amantes apaixonados, que se afogavam no silêncio dentre os cobertores sujos de paixão. As luzes acesas guardavam e mantinham a insônia daqueles com a cabeça pesada demais, com pensamentos em excesso para perder tempo dormindo. O dia corria, a tarde passava, a noite sentia.
E lá estava eu, andando por qualquer lugar que a cidade quisesse me levar. Meus olhos percorriam em todo movimento, captando sorrisos verdadeiros, têmporas cansadas e mãos esbarrando uma na outra, pedindo - e quase gritando - por um contato verdadeiro. Mas aquela noite era uma exceção. Aquela noite era um tanto mais brilhosa do que todas as outras. A lua estava mais cheia, mais próxima, menos só. O que surgia dentro de mim fazia com que eu fosse a prioridade. Eu não precisava sugar e observar os outros para sentir, para querer, para ansiar, para criar. Eu tinha a mais pura e fervente fonte de inspiração: meu romance.
O que me faria dançar secretamente por debaixo daquele caos urbano. Eu abandonei tudo que sempre foi meu e, nesse momento de silêncio e vazio interno, me preenchi daquilo que você me proporcionou. A quentura ardia por entre veias que eu nunca senti, que eu nunca descobri, que nunca realmente existiram, mas que palpitavam. Palpitavam anunciando o nascimento e o crescer de algo novo. Algo sem culpa, sem poeira, sem qualquer-coisa-rude-egoísta-e-infeliz-demais-pra-ser-amor.
Eu me relaciono com você. Você se relaciona comigo. E o romance é o nosso amante, aquele que tira o tédio gelado do domingos de manhã, aquele que nunca irá cobrar nada além do que nós desejamos; o romance é o amante que nos remexe no meio da madrugada, fazendo com que nossos corpos se choquem uma última vez antes que a consciência decida ir embora totalmente e o sono se aconchegue. O romance é a força que nos une. É mais do que nós temos, é mais do que nós enxergamos: é a nossa ambição. É aquilo que eu vejo em você ás 3:27 da madrugada, quando seu cabelo está bagunçado, sujo, suas olheiras fundas e seu rosto cansado. É aquilo que eu vejo em você nesses momentos só nossos, onde o lado obscuro da sua lua vira e sorri pra mim.
O início do romance (Primeira parte)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010 @ 11:07
Abrir e fechar os olhos. Nós fazemos isso tantas vezes, tantas milhares de vezes e tão rapidamente em sua maioria, que este ato tornou-se comum. Nós nos acostumamos com o fato de estar abrindo e fechando as pálpebras o dia inteiro, a tarde inteira, as horas passageiras. Como nos acostumamos com a maioria das coisas ao nosso redor, esquecendo do quão magnífica a mais simples e pura ação pode ser.
Eu fecho os meus olhos e permaneço assim. Tudo começa a ficar cada vez mais escuro, mais e mais escuro, até que o tudo que anteriormente estava na minha frente, na minha realidade, se transforma em nada. Pura memória. O nada surge do tudo. O nada é um tudo que morre de desamor, desmemória, desafeto. E desacostumado desaparece.
Meus olhos já não enxergam o que é, o que está. Eles enxergam o que sentem, o que desejam, o que decidem. O palco diante de mim é vazio, desconhecido. É o começo de qualquer coisa que eu ainda não escolhi; é o fim de tudo que eu sempre tive, sem escolher: só me pertenceu. Eu tenho tanta liberdade que meu corpo estremece. O obscuro começa a tomar formas e o que eu sinto é jogado pelo palco da minha mente, nu e só.
Solenemente só e nu em seu medo imaginário: tão meu que já era bagagem obrigatória (ao lado dos tênis surrados, da melancolia desgastada e da intensamente triste admiração). O indesejado também vem e ocupa o espaço da minha segurança, deixando o ar pesado, a garganta fechada e o coração lotado daquilo que não era dele e nem meu. Daquilo que não pertencia a ninguém, realmente, mas permanecia em todos: o romance.
sábado, 21 de agosto de 2010 @ 13:35

Você se engana quando afirma com tamanha arrogância que quer o que quer.
Você se engana enquanto levanta da cama todos os dias e procura o par de meia que fugiu no meio da noite.
Você se engana quando fecha as janelas e abre as cortinas, como se fosse o suficiente.
Você se engana enquanto olha no espelho e sorri satisfeito.
Há rachaduras ligeiramente ganhando espaço.
Você se engana quando escova os dentes e cospe o sujo de dentro da sua boca.
Você se engana enquanto conhece novas pessoas, apertando mãos e beijando rostos desgastados.
Você se engana e enganando vai indo, como se fosse o suficiente.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010 @ 12:00
As paredes do banheiro ganham novas cores a partir do céu das duas da madrugada. Não se sabe o que é sombra e o que é ilusão. O chuveiro se mantém no mesmo local e é para lá que vou, escorregando minhas roupas para fora do meu corpo e desprendendo meu longo cabelo escuro, tornando ombros anteriormente expostos em manchas negras e sujas. A mão pálida e desgastada descansa na torneira e liga a água. Eu espero. "Esperando o fluxo." Me preparo como se fosse entrar para algum tipo de batalha entre minha pele e a água forte. Não consigo escutar nada e quando me dou conta, estou debaixo da água fervendo e cada pedacinho nu de mim agradece silenciosamente.
Há uma janela ao meu lado, um pouco acima da minha cabeça. Posso ver a maioria das luzes apagadas, e um conforto extremamente familiar toma conta e me balança quando penso que todos estão deitados. Serenos. Dormindo. A parte mais verdadeira e irreal do dia: o sono. Olho para fora como se olhasse num espelho, procurando aspectos conhecidos e descobrindo segredos que eu nunca esperei notar. Olho como se fosse um espelho porque me vejo: nas árvores, onde a natureza apodrece e se vai. No asfalto, onde os carros passam ligeiros. Nas casas, que guardam tanta coisa dentro de si. Nos pássaros, inquietos e receosos, voando para qualquer lugar que não seja o passado. Eu me sinto como parte de tudo.
Sento no chão do chuveiro e deixo a água cair rapidamente na minha nuca, descansando minha cabeça pesada em meus joelhos. "O que será do que não foi? Para onde vão todos os desejos calados e as ações frustradas?" Sussurro para o escuro, como se a minha voz rouca pudesse propagar alguma espécie de resposta. Alguém ou algo tão desesperado como eu. Mas nada. Nada vem. Nada foi.
Imagino um enorme buraco dentro do meu estômago e ele lateja, como se o nada incomodasse. Eu repudio o nada. Tão inquieto em sua solidão inexistente. Meu corpo tenta se livrar daquilo tudo e despeja a água salgada de meus olhos - estes vizinhos das olheiras, tão permanentes em meu rosto.
Já não sei o que é. O que sou. Já não sei o que é água, o que é choro. O que é sonho, o que é ilusão.
Com forças que já não me pertenciam, levantei imponente e desliguei a água. Desconhecendo se estava nadando em lágrimas ou não. Irônico como eu podia controlar a água - quente, gelada, forte, leve - algo tão externo, tão não-meu. E o fato de ser extremamente, claramente, irrevogável e intensamente complicado controlar o que era meu.
A primeira apresentação
quarta-feira, 28 de julho de 2010 @ 14:04
Cristal: Meus sonhos sempre foram frágeis assim como meu próprio nome. Na maioria das noites, sonho que estou nadando e, de repente, esqueço-me de como continuar. A água cobre meu corpo inteiro e embala meu pulmão numa última dança. A dor é tão angustiante que acordo no meio do escuro gritando seu nome. Mas nem a água e nem a sua presença enchem meu pulmão de ar, então eu viro e reviro na cama e tento direcionar meus pensamentos a algum lugar seguro. "
Será que eu sou capaz?".
Johnny: Seu olhar sempre foi um paradoxo: a incerteza e a seguridade tentando se fundir nos dois belos verdes olhos. Me deixa sem fôlego, mas não é uma sensação desagradável... É como estar na beira de um precipício, instantes antes de você se jogar e mergulhar em águas profundas, sem ter noção do que te espera. A profundidade, rochas, temperatura. É tudo tão desconhecido que seu estômago revira e sua boca desenha um sorriso certeiro. Eu abro os olhos e me levanto da cama. "
É tão assustador sentir-se capaz."
E eu, não mentirei, mantive-o pela noite
@ 10:34
A ardência na garganta surgiu fazendo com que meus olhos despejassem água salgada, aquela que correu em encontro aos meus lábios secos e foi lentamente absorvida.
Lembraram-me do canto dos pássaros apressados, eles que mancharam meu céu e se esconderam no fim da tarde sangrenta. O sol grandioso esmagando o patético horizonte. Consegue visualizar o tão glorioso fim?
Senti a nostalgia tomar conta do corpo fraco e da mente fechada. Qual seria a palavra certa? Talvez saudades. Talvez o tão tolo arrependimento. Aquele que transformou noites em longos anos – o suor pingando da testa do acordado garoto às quatro e meia da manhã.
Os longos cílios se fecharam em uma expressão que te abana o adeus, despedindo as memórias lambidas pelo oceano.
Perdi meu tempo com apostas... Talvez dois anos e meio afogada em sentimentos nada nobres, tornando minha carne exposta livre ao toque de qualquer um com sorte nos jogos.
Já tinha esquecido de apreciar o reflexo do espelho, o orgulho costumava inflar e meus lábios desenhados eram abertos em um sorriso torto e agradável. A cidade roubou a dignidade e a sobriedade da minha vida, cruzando becos assassinos e silenciosos. Marcando meus olhos – sem volta.
Lá estava eu, junto a ele. Meu menino. Tão jovem e desentendido, que seus pequenos olhos cor de amêndoa obrigavam você á sorrir. O último homem que me abraçou com sentimento, tornando o dia acabado em um início de tarde longe da fumaça de meus cigarros.
“Aonde será que eu poderei vê-la novamente?” A pergunta ecoando no quarto escuro, enquanto ele brincava carinhosamente com seus dedos em meu corpo nu.
Eu nunca tive chance de responder a sua pergunta, porque o calor de minha língua furiosa o deu certezas nunca perguntadas antes.
E lá estávamos juntos. Pra sempre? O fim é glorioso demais para ser evitado e maquiado. Que venha! Enquanto isso a música de nossos gemidos pode ser abafada pelas cobertas que nos mantinham afastados por pequenos momentos. O seco se tornando úmido, o chão tornando o meio intocável... A dor próxima e real.
E aquilo que senti quando meu coração tentou cavar meu peito não tinha nome, era um completo estranho tomando conta da minha vida e navegando o meu navio por cima das ondas violentas. Era puro e ingrato, com cheiro de limão e gosto daquela paisagem esverdeada. O mantive perto de mim aquela noite, pois parecia que algo se enchia de prazer quando por perto ele permanecia.
Quando por perto, finalmente, eu existia.